Edifício COPAN

Paolo Colosso é arqui­te­to urba­nis­ta, mes­tre e dou­tor em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Autor de “Rem Koolhaas nas metró­po­les deli­ran­tes: entre a big­ness e o big busi­ness”( ed. Annablume, 2017). Com a rede BrCidades, em 2018 ganhou o prê­mio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) na cate­go­ria urba­ni­da­de. É pro­fes­sor Associado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil.

Ciudad: São Paulo
Productor: Oscar Niemeyer e Carlos Lemos.
Personas Vinculadas: Engenheiro Joaquim Cardozo, Companhia Panamericana de Hotéis e Turismo; Banco Bradesco.
Ubicación: Arquivos dis­po­ní­veis na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
País: Brasil

Todos ten­tam pro­vi­den­ciar cons­truções belas, mas os caminhos dessa pro­vi­dên­cia é que não são iguais para todos. 

— Carlos Lemos, 1980

Entre os anos 1930 e 1970 São Paulo foi, com efei­to, uma máqui­na de cres­ci­men­to – eco­nô­mi­co e popu­la­cio­nal. A pro­pos­ta do COPAN surge no con­tex­to de ver­ti­ca­li­zação da metró­po­le e de con­fia­nça na inci­dên­cia da arqui­te­tu­ra na pai­sa­gem.  O com­ple­xo se ins­ta­la­ra na área cen­tral, em um lote deli­mi­ta­do pela Avenida Ipiranga, Rua Araújo e Rua Vila Normanda, com área de cerca de 10.000,00 m². Este ícone da arqui­te­tu­ra moder­nis­ta bra­si­lei­ra – iden­ti­fi­ca­do por sua implan­tação em ‘S’- foi por bas­tan­te tempo a maior estru­tu­ra de con­cre­to do país e ainda é o maior edi­fí­cio resi­den­cial da América Latina. 

O “maciço” con­ce­bi­do por Oscar Niemeyer em 1951 pre­via gran­de rique­za pro­gra­má­ti­ca com uma gale­ria de usos comer­ciais no térreo, além de um tea­tro, um cine­ma e 900 uni­da­des habi­ta­cio­nais, tota­li­zan­do 32 pavi­men­tos. Previa-se tam­bém um segun­do edi­fí­cio que abri­ga­ria um hotel e, entre eles, uma rua inter­na (atual rua Unaí). A con­ce­pção de usos múl­ti­plos visa­va, deste modo, incor­po­rar feições urba­nas. 

A execução, atra­ves­sa­da de modi­fi­cações exi­gi­das pelos acio­nis­tas, ficou a cargo do então jovem arqui­te­to Carlos Lemos. O tea­tro foi excluí­do, o segun­do edi­fí­cio pas­sou de hotel a comer­cial. O núme­ro de uni­da­des habi­ta­cio­nais subiu para 1.160. 

O térreo execu­ta­do foi mais fiel às pre­mis­sas ini­ciais. A gale­ria conta com cerca de 70 boxes comer­ciais, a rua inter­na acom­panha o des­ní­vel entre as ruas, sem degraus, o que gera con­ti­nui­da­de em relação ao pas­seio públi­co. A base de uso misto foi sepa­ra­da das habi­tações por estra­té­gias de transição. A sobre­lo­ja acom­panha a incli­nação do térreo, o foyer é pre­do­mi­nan­te­men­te plano, mas recor­ta­do na área onde o pé direi­to se tor­nou pos­sí­vel; somen­te o terraço é plano por com­ple­to. Há uma esca­da solta que liga dire­ta­men­te o nível da calça­da ao do terraço – os pisos públi­cos. 

A lâmi­na em “S” com raios aber­tos tem lar­gu­ra cons­tan­te e foi divi­di­da em seis blo­cos, com aces­sos inde­pen­den­tes desde o térreo e sub­so­lo. As plan­tas das uni­da­des foram resol­vi­das a par­tir de círcu­los de dife­ren­tes raios.  As habi­tações seguem os tipos qui­ti­ne­te, mas tam­bém apar­ta­men­tos de um, dois e três dor­mi­tó­rios.   Buscam, em algu­ma medi­da, pro­du­zir no seu inte­rior uma mis­tu­ra de cama­das sociais.  

Não sem difi­cul­da­des o COPAN atra­ves­sou as déca­das de aban­dono do cen­tro tra­di­cio­nal no fim do sécu­lo XX e tam­bém o esva­zia­men­to pro­fun­do deco­rren­tes da pan­de­mia de COVID-19. 

Todavia nos últi­mos anos o COPAN reen­con­tra sua aspi­ração ini­cial, a saber, criar cen­tra­li­da­de, aglu­ti­nar vida urba­na plu­ral e popu­lar. Entre os usos do térreo estão uma flo­ri­cul­tu­ra, uma lavan­de­ria, mais de um cabe­lei­rei­ro, mais de um café. Nenhum deles conta, feliz­men­te, com vitri­nes “high design”, nenhum se pare­ce com loja de shop­ping, mas bem mais com gale­rias da Rua Augusta, que con­cen­tra uma cena con­tra­cul­tu­ral com inten­sa vida notur­na, ou da Rua 25 de março, nacio­nal­men­te conhe­ci­da por con­cen­trar um inten­so comér­cio popu­lar.  Já os res­tau­ran­tes vol­ta­dos pra rua guar­dam certa dis­ti­nção, dei­xam ver que o con­jun­to envelhe­ce bem, como uma músi­ca dos Beatles ou dos Stones.  A livra­ria por sua vez é mais des­co­la­da, com biblio­gra­fia bas­tan­te atua­li­za­da. O piso do terraço rece­be even­tos diver­sos. Aos fins de tarde, tais usos trans­bor­dam nas calça­das e apro­xi­mam gerações. Talvez, mais do que nunca, o COPAN se rea­li­za hoje – para ale­gria de Niemeyer e Lemos – como uma arqui­te­tu­ra que faz bai­rro em torno de si.

Referencias

BIBLIOGRAFIA

CORONA, E. (2001) Oscar Niemeyer: uma lição de arqui­te­tu­ra (apon­ta­men­tos de uma aula que per­du­ra há 60 anos). São Paulo, Brasil: FUPAM. 

GALVÃO, Walter José Ferreira (2007). COPAN/SP: A tra­je­tó­ria de um mega empreen­di­men­to, da con­ce­pção ao uso – Estudo com­preen­si­vo do pro­ces­so com base na Avaliação Pós-Ocupação. Dissertação (Mestrado). São Paulo, Brasil: Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU — USP)

LEMOS, C.(1980). O que é Arquitetura? São Paulo, Brasil: Brasiliense. 

LEMOS, C. (1999). A repú­bli­ca nos ensi­na a morar (melhor). São Paulo, Brasil: Hucitec. 

LEMOS, C. (1999). Casa pau­lis­ta: his­tó­ria das mora­dias ante­rio­res ao ecle­tis­mo tra­zi­do pelo café. São Paulo, Brasil: EDUSP.

LEMOS, C.(2004). Entrevista con­ce­di­da ao docu­men­to bási­co para visi­ta téc­ni­ca ao edi­fí­cio COPAN. Seminário Internacional NUTAU 2004 Demandas sociais, inovações tec­no­ló­gi­cas e a cida­de. São Paulo, Brasil: Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. 

NIEMEYER, O.( 1951). Edifício Copan. Material grá­fi­co de repre­sen­tação do Edifício Copan. Pranchas dis­po­ní­veis na biblio­te­ca da FAU-USP. 

NIEMEYER, O. (2001) Um Epílogo Fascinante. In: CORONA, E. Oscar Niemeyer: uma lição de arqui­te­tu­ra. São Paulo, Brasil: FUPAM. P. 116–117. 

NIEMEYER, O. (1998) As cur­vas do tempo: memó­rias. Rio de Janeiro, Brasil: REVAN. 

NIEMEYER, O. (2003). A Forma na Arquitetura. In: XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arqui­te­tu­ra moder­na bra­si­lei­ra. SP: Cosac&Naif,  pp-141–145.

OUKAWA, C. (2010).  Edifício Copan : uma aná­li­se arqui­te­tô­ni­ca com ins­pi­ração na dis­ci­pli­na aná­li­se musical.Dissertação de mes­tra­do. São Paulo: Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU – USP)

Galería

Scroll al inicio

Descubre más desde Modernismo Latinoamericano

Suscríbete ahora para seguir leyendo y obtener acceso al archivo completo.

Seguir leyendo